Coisas Maiores Fareis
"Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará obras maiores do que estas, porque eu vou para o Pai." — João 14:12
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Introdução
Há palavras na Bíblia que nos fazem parar, respirar fundo e perguntar: "Será que percebo bem o que estou a ler?" João 14:12 é uma dessas palavras. Jesus — que curou cegos, ressuscitou mortos e acalmou tempestades — olhou para os seus discípulos e disse-lhes que eles fariam obras maiores. Não obras menores, não obras iguais. Maiores. Esta é uma das promessas mais ousadas de toda a Escritura.
Na semana passada, nesta série, vimos como João 14 nos apresenta Jesus como o único caminho para o Pai. Hoje entramos no versículo 12 e confrontamo-nos com uma promessa que não podemos ignorar nem domesticar. Muitos cristãos lêem esta passagem e ficam desconfortáveis — ou por não acreditarem que é para eles, ou por terem medo do que significaria se fosse verdade. Mas Jesus não faz promessas por engano, e nós não temos o direito de as reduzir.
Esta manhã quero que saiamos daqui com uma convicção renovada: Deus não chamou a sua Igreja para uma vida de mediocridade espiritual. Chamou-nos para uma vida de fé activa, de obras poderosas feitas no nome de Jesus. Vamos ver, juntos, o que esta promessa significa, a quem se destina, e de que forma muda a nossa maneira de viver.
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1. Uma Promessa Condicional — "Aquele que Crê em Mim"
A primeira coisa que devemos notar é que esta promessa tem uma condição clara: "aquele que crê em mim." Não é uma promessa automática, nem uma garantia para qualquer pessoa. É uma promessa para quem verdadeiramente crê em Jesus — não apenas crê que Ele existiu, mas crê que Ele é quem disse ser, e que as suas palavras têm autoridade sobre a nossa vida.
A fé de que Jesus fala aqui é a fé activa, a fé que age. Tiago diria mais tarde que a fé sem obras é morta (Tiago 2:17). O crente que recebe esta promessa é aquele que não apenas assente com a cabeça, mas que sai à rua disposto a viver como Jesus viveu — com compaixão, coragem e dependência total do Pai.
Praticamente, isto significa que precisamos de examinar a qualidade da nossa fé. Não o seu tamanho, mas a sua direcção. Será que a minha fé está ancorada em Jesus Cristo ou nas minhas próprias capacidades? Quando oramos pelos doentes, pelos perdidos, pelas famílias destroçadas, fazemo-lo com a convicção de que Deus realmente age — ou apenas por cumprir ritual? A promessa é para quem crê de verdade.
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2. Um Fundamento Teológico — "Porque Eu Vou para o Pai"
Jesus não explica apenas o quê, mas também porquê. As obras maiores tornam-se possíveis precisamente porque Jesus foi para o Pai. Isto é fundamental. Com a ascensão de Cristo, veio o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes. A Igreja não ficou órfã — ficou equipada.
Quando Jesus estava na terra, o Seu ministério estava geograficamente limitado. Estava em Jerusalém ou estava na Galileia, mas não estava nos dois lugares ao mesmo tempo. Hoje, através do Espírito Santo que habita em cada crente, Cristo está simultaneamente a agir em Lisboa, no Porto, em Maputo, em São Paulo, em Macau. O alcance é infinitamente maior. Essa é uma das dimensões das "obras maiores" — não necessariamente em espectacularidade, mas em extensão e abrangência.
Além disso, Jesus intercede junto do Pai pelo seu povo (Hebreus 7:25). Cada vez que oramos, oramos com o próprio Cristo a interceder por nós. Que fundamento tão sólido! Quando nos sentimos fracos demais para fazer a diferença, lembremos: não estamos sozinhos nesta missão. O próprio Filho de Deus está do nosso lado, no trono de Deus.
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3. Uma Responsabilidade Comunitária — Feitas por Nós, Não por Mim
É tentador ler João 14:12 de forma individualista: "eu farei obras maiores." Mas o contexto é sempre a comunidade dos crentes — a Igreja. As obras maiores que Jesus prometeu nunca foram concebidas para heróis solitários da fé, mas para um corpo unido, cada membro cumprindo o seu papel.
Paulo explica em 1 Coríntios 12 que o Espírito distribui dons diferentes a pessoas diferentes, precisamente para que, juntos, a Igreja manifeste a plenitude de Cristo. Um tem o dom de cura, outro de evangelismo, outro de misericórdia, outro de ensinamento. Nenhum de nós tem tudo — todos nós temos algo.
Isto liberta-nos de uma pressão enorme. Não precisas de ser o próximo apóstolo Paulo. Precisas de ser fiel àquilo que Deus colocou nas tuas mãos. O jovem que testemunha ao colega de trabalho, a mulher que ora fielmente pelos doentes da sua rua, o diácono que serve com alegria sem ser visto — todos estes estão a participar nas obras maiores que Jesus prometeu.
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Conclusão
Irmão, irmã, Jesus não fez esta promessa para nos intimidar. Fê-la para nos enviar. Há pessoas à tua volta que precisam de ver Cristo, e Deus quer usá-te a ti para isso. Esta semana, dá um passo de fé concreto: ora por alguém com expectativa real, partilha o Evangelho com alguém que ainda não conhece Jesus, ou usa o teu dom para servir a Igreja. Não esperes sentir-te pronto. Age com fé — porque a promessa é para quem crê.
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Oração Final
Senhor Jesus, obrigado por esta promessa extraordinária. Dá-nos fé que actua, coragem que avança e humildade que reconhece que é o Teu Espírito quem faz a obra. Que a nossa vida, esta semana, seja um sinal vivo do Teu poder e da Tua graça. Ámen.
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