Como Interpretar o Apocalipse: As Quatro Escolas
"Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer." — Apocalipse 1:19
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Porque Este Estudo é Necessário
Poucos livros da Bíblia produziram tanta divisão — e tanta especulação — como o Apocalipse. Ao longo dos séculos, cristãos sinceros identificaram a besta com imperadores romanos, com líderes religiosos, com ditadores do século XX e com figuras políticas contemporâneas. Todos erraram.
Isto não é razão para abandonar o livro. É razão para o lermos com método e com humildade.
Antes de discutir o que significa cada símbolo, é preciso perceber que existem quatro formas legítimas e antigas de abordar o livro inteiro. Quem não conhece as quatro tende a assumir que a sua é a única — e a tratar irmãos como ignorantes por lerem de outra maneira.
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Contexto do Livro
O Apocalipse foi escrito por João, exilado na ilha de Patmos "por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo" (1:9).
A datação é debatida e tem consequências para a interpretação:
O género do livro é apocalíptico, uma forma literária judaica que usa visões, números e imagens simbólicas para comunicar realidades espirituais. Ignorar isto e exigir leitura literal de cada detalhe produz resultados estranhos; ignorar o oposto e dissolver tudo em símbolo esvazia o texto de conteúdo real.
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As Quatro Escolas
1. Preterista — "já se cumpriu"
Lê a maior parte do livro como referindo-se a acontecimentos do primeiro século: a perseguição da igreja sob Roma e a queda de Jerusalém em 70 d.C.
Nota importante: há uma distinção entre o preterismo parcial (a maior parte cumpriu-se, mas o regresso de Cristo e a ressurreição são futuros) e o preterismo integral, que nega uma segunda vinda futura. Esta segunda posição contradiz artigos essenciais da fé cristã e não é uma opção dentro da ortodoxia.
2. Historicista — "está a cumprir-se ao longo da história"
Lê o livro como um panorama da história da Igreja desde o primeiro século até ao regresso de Cristo, com cada selo, trombeta e taça a corresponder a períodos sucessivos.
3. Futurista — "vai cumprir-se"
Lê os capítulos 4 a 22 como referindo-se a acontecimentos ainda futuros, concentrados num período de tribulação antes do regresso de Cristo.
4. Idealista — "cumpre-se sempre"
Lê o livro como um retrato simbólico e atemporal do conflito entre o Reino de Deus e as forças do mal, aplicável a qualquer época.
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O Que Todas Afirmam em Comum
Aqui está o mais importante deste estudo. Apesar das diferenças, as quatro leituras ortodoxas concordam no essencial:
Nenhum destes pontos depende de acertarmos a cronologia. E é sobre estes pontos — não sobre esquemas — que o Novo Testamento constrói as suas exortações.
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Um Princípio Para Ler Bem
Repara em como o próprio livro se apresenta no primeiro versículo: "Apocalipse de Jesus Cristo" (1:1). A palavra grega apokalypsis significa revelação, desvendar.
O livro não foi dado para esconder, mas para revelar — e o que revela, antes de tudo, é uma Pessoa. A primeira visão não é de bestas, mas do Cristo ressuscitado no meio dos candeeiros (1:12-18).
Quem termina o estudo do Apocalipse a saber mais sobre o anticristo do que sobre Cristo leu o livro ao contrário.
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Perguntas de Reflexão
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Aplicação Prática
Lê o Apocalipse 1 esta semana — o capítulo da visão de Cristo — antes de leres qualquer outro capítulo do livro.
E adota este princípio de leitura: firme no essencial, humilde no disputado, caridoso com quem lê de forma diferente.