A Cova dos Leões Não Mudou a Rotina de Daniel
"O teu Deus, a quem tu continuamente serves, ele te livrará." — Daniel 6:16
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Introdução
Daniel tinha, a esta altura, mais de oitenta anos. Servira Nabucodonosor, vira cair o império babilónico numa noite, e agora servia Dario, o medo-persa.
Sessenta anos de vida pública. E é já no fim que vem a maior provação.
Há uma ilusão perigosa na vida cristã: a de que chega um ponto em que já estamos seguros. Daniel não estava.
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1. A Armadilha Foi Construída Sobre a Previsibilidade Dele
Os inimigos investigaram tudo e não encontraram nada (v. 4). Então chegaram àquela conclusão notável:
"Não acharemos ocasião alguma contra este Daniel, se não a acharmos contra ele na lei do seu Deus." — v. 5
Repara no que isto significa: eles apostaram na fidelidade dele.
Todo o plano dependia de uma certeza — a de que Daniel não deixaria de orar. Se houvesse a mais pequena hipótese de ele ceder durante trinta dias, o esquema não funcionava.
Os inimigos dele conheciam-no melhor do que muitos amigos nossos nos conhecem a nós.
Que a tua vida seja tão consistente que quem te quer prejudicar tenha de contar com a tua fidelidade.
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2. Trinta Dias Era Pouco Tempo — e Foi Precisamente Esse o Teste
O decreto durava trinta dias. Não era para sempre.
Um homem prudente teria calculado: são só trinta dias. Posso orar em silêncio, no coração, sem abrir as janelas. Deus entende. Não faz sentido morrer por causa de um mês.
E tudo isso teria sido perfeitamente razoável.
É assim que se perdem convicções — não numa grande apostasia, mas numa exceção temporária e sensata.
Daniel não fez essa conta. Porque uma convicção que se suspende durante trinta dias já não é convicção; é preferência.
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3. Ele Não Precisou de Decidir Nada Naquele Dia
Isto liga tudo o que vimos em Daniel.
No capítulo 1, ele "assentou no seu coração" não se contaminar. Tinha talvez quinze anos.
No capítulo 6, com mais de oitenta, quando o decreto é assinado, o texto não regista nenhuma deliberação. Nenhuma noite em claro. Nenhuma consulta.
Ele simplesmente "entrou em sua casa" e fez o que sempre fizera.
Quem decide as suas convicções antes da pressão não precisa de inventá-las no meio da crise.
Sessenta e cinco anos separam aquelas duas decisões — e são a mesma decisão.
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4. O Livramento Veio Depois da Noite Inteira
É importante não acelerar esta parte.
Daniel foi lançado na cova. Uma pedra foi posta à boca e selada com o anel do rei (v. 17). E passou a noite inteira lá dentro.
Deus podia ter fechado a boca dos leões antes de Daniel entrar. Não fechou.
O livramento não foi da cova — foi dentro da cova. Como na fornalha dos amigos: a fidelidade primeiro, a prova depois, o livramento no fim.
E repara em quem não dormiu: o rei (v. 18). Daniel, esse, estava com um anjo (v. 22).
Às vezes quem tem o poder passa a noite pior do que quem está na cova.
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5. O Resultado Foi um Decreto Melhor
O capítulo termina com Dario a escrever a todos os povos da terra que se temesse "o Deus de Daniel, porque ele é o Deus vivo" (v. 26).
O primeiro decreto tentou proibir a oração. O segundo proclamou o Deus vivo ao império inteiro.
Daniel não conseguiu isto com um discurso. Conseguiu-o com uma noite entre leões, por não ter alterado a sua rotina.
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Conclusão
Não sabemos que decreto vai ser assinado no teu tempo. Não sabemos que pressão virá sobre a tua fé, o teu trabalho, a tua casa.
Sabemos uma coisa: não é nesse dia que se decide.
Decide agora, enquanto ninguém te está a ver, o que farás quando toda a gente estiver a ver.
E que, quando quiserem apanhar-te, tenham de contar com a tua fidelidade.