Quem É Este Gigante Para Afrontar o Deus Vivo?
"Pois quem é este filisteu incircunciso, para afrontar os exércitos do Deus vivo?" — 1 Samuel 17:26
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Introdução
Durante quarenta dias, o exército de Israel ouviu a mesma voz. Todas as manhãs e todas as tardes, Golias saía ao vale e desafiava. E todas as manhãs e todas as tardes, homens treinados e armados "fugiam de diante dele e temiam grandemente".
Então chega um rapaz que nem sequer vinha para a guerra — trazia pão e queijo para os irmãos. Ouve exatamente a mesma ameaça que todos ouviram. E faz a pergunta que ninguém tinha feito em quarenta dias.
Repara bem: David não pergunta "que tamanho tem ele?". Pergunta "quem é ele diante de Deus?". Toda a diferença entre um exército paralisado e um jovem vitorioso cabe dentro dessa pergunta. E é com ela que abrimos esta série.
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1. Todos Viram o Mesmo Gigante — Mas Não com os Mesmos Olhos
Saul e os soldados eram homens experientes. Sabiam medir uma batalha. E, medindo, concluíram: é grande demais para nós. David viu exatamente o mesmo homem e concluiu: é pequeno demais para Deus.
O problema nunca foi a informação. Ambos tinham os mesmos dados — a altura, a armadura de bronze, a lança como eixo de tecelão. O que David acrescentou à equação foi um factor que os outros tinham deixado de fora: o Deus vivo.
Presta atenção a este adjetivo, porque não é decorativo. David não diz "o Deus de Israel" nem "o Deus dos nossos pais". Diz o Deus vivo. Está a contrastar o Senhor com os ídolos mudos dos filisteus. Um Deus que vive é um Deus que vê, que ouve e que responde. E se Ele vive, então aquela afronta não fica sem resposta.
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2. Fé Não É Negar o Gigante
É importante corrigir aqui uma caricatura da fé que faz muito dano nas nossas igrejas. Fé bíblica não é fingir que o problema não existe. David nunca disse que Golias era pequeno. Nunca negou a armadura, nem a lança, nem os quase três metros de altura.
O que a fé faz não é apagar a realidade — é colocá-la no lugar correto. O gigante continua a ser gigante; mas deixa de ser a medida final de todas as coisas, porque há Alguém maior no mesmo campo.
Há uma diferença enorme entre negar o diagnóstico e submeter o diagnóstico a Deus. Entre fingir que a dívida não existe e colocar a dívida diante d'Aquele que é dono do ouro e da prata. A primeira atitude é ingenuidade; a segunda é fé.
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3. A Pergunta Certa Muda a Batalha Antes de Ela Começar
Mais tarde, diante do próprio Golias, David declara: "Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado" (v. 45).
Repara na estrutura desta frase. David nomeia a arma do inimigo — não a ignora. Nomeia a sua própria arma — o nome do Senhor. E nomeia o crime — "a quem tens afrontado".
A vitória de David não começou com a pedra. Começou muito antes, no momento em que ele decidiu qual era a pergunta certa a fazer. Quando a perspetiva muda, a batalha já mudou.
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Conclusão
Talvez haja hoje um Golias que te grita há quarenta dias. Um diagnóstico. Uma dívida. Um filho que se afastou. Um casamento cansado. Um medo que te acorda de madrugada.
Não te peço que finjas que ele não existe. David nunca fingiu. Peço-te apenas que faças a pergunta certa: quem é este gigante para afrontar o Deus vivo?
Mede o teu gigante — mas mede-o ao lado de Deus, e não ao lado das tuas forças.