Ágape e Fileo: O Amor que Jesus Pediu a Pedro
"Disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo." — João 21:15
Em português lemos a mesma palavra duas vezes. No original estão duas palavras diferentes.
Jesus pergunta: agapás-me? — o amor da decisão e do compromisso, aquele que ama sem depender de o outro merecer. O amor de João 3:16.
Pedro responde: fileo-te — o amor do afeto, da amizade, de quem gosta.
Pedro não se atreve a pegar na palavra maior. Já tinha usado palavras grandes antes: "ainda que todos se escandalizem em ti, eu nunca me escandalizarei." Sabemos como acabou. Agora oferece apenas aquilo de que tem a certeza.
E há um pormenor que João não escreveu por acaso. Na noite em que negou, Pedro estava a aquecer-se junto a umas brasas (18:18). Ali, à beira-mar, Jesus tinha acendido outras brasas (21:9). A palavra aparece duas vezes em todo o Novo Testamento — e são estas duas.
Jesus levou-o de volta ao cheiro do lugar onde caiu. Não para o humilhar. Para o curar ali.
E então, à terceira pergunta, acontece o mais belo: Jesus muda de palavra. Deixa de perguntar agapás-me e pergunta fileo-me?
Desce à palavra de Pedro.
Não esperou que Pedro chegasse ao amor maior para lhe confiar o rebanho. Foi buscá-lo onde ele estava — e disse: "Apascenta as minhas ovelhas."
E se pensas que fileo é um amor de segunda, repara em quem o usa: "o próprio Pai vos ama, porque vós me amastes" (João 16:27). Ali está fileo. É o Pai.
Deus não te ama só por decisão.
Ele gosta de ti.
