O Outono Não É o Fim do Ano
"...e fará descer a chuva, a temporã e a serôdia... E restituir-vos-ei os anos que comeu o gafanhoto." — Joel 2:23, 25
Nós herdámos um calendário que acaba em dezembro. Por isso o outono chega-nos com ar de fim: as folhas caem, os dias encurtam, tudo parece estar a recolher-se.
Na Bíblia é ao contrário.
O ano agrícola de Israel começa no outono. A chuva temporã — aquela que Joel promete — cai por outubro, depois de um verão inteiro a cozer a terra até ela ficar dura como pedra. Sem essa chuva, o arado não entra. Sem o arado, não há sementeira. Sem sementeira, não há ano nenhum.
Ou seja: a estação que parece de declínio é a que abre tudo o resto.
E repara onde está esta promessa. Está dois versículos antes daquela frase que tanta gente decora: "restituir-vos-ei os anos que comeu o gafanhoto."
A chuva e a restituição vêm juntas, no mesmo parágrafo. Não é coincidência. A restituição não chega como um relâmpago — chega como chuva sobre terra dura, a preparar um chão que já ninguém achava que servisse para alguma coisa.
Talvez tenhas atravessado um verão longo. Talvez a tua terra esteja dura de mais para acreditares que ainda dá para semear.
O calendário diz que o ano está a acabar.
A Escritura diz que, quando a chuva de outono começa a cair, é o ano que está a começar.
As folhas a cair não são a história. A chuva é.