Deus Estava a Ouvir
"Então aqueles que temeram ao Senhor falavam frequentemente um ao outro; e o Senhor atentava e ouvia; e um memorial foi escrito diante dele." — Malaquias 3:16
Havia um povo inteiro a dizer que não valia a pena servir a Deus. Está lá escrito, dois versículos antes: "inútil é servir a Deus" (v. 14).
E, no meio desse povo, um grupo pequeno fazia outra coisa.
Não organizaram um avivamento. Não convocaram uma vigília. Não escreveram um manifesto.
Falavam uns com os outros.
Era só isso. Gente comum, num tempo mau, a encorajar-se em conversas que ninguém registou.
Só que alguém registou.
"E o Senhor atentava e ouvia."
Repara nos dois verbos. Ele inclinou-se. Ele escutou. O Senhor dos Exércitos, que levanta e derruba impérios, parou para ouvir uma conversa entre pessoas que provavelmente se sentiam irrelevantes.
E depois mandou escrever.
Naquela cultura, sob domínio persa, todos sabiam o que era um livro de memórias — as crónicas onde se registavam os atos de lealdade ao rei para não caírem no esquecimento. Foi assim que Mardoqueu foi finalmente reconhecido, anos depois, quando o rei não conseguiu dormir e mandou ler os registos.
Deus está a dizer: existe um registo. E nada se perdeu.
Aquela conversa que tiveste com um irmão desanimado. A mensagem que enviaste sem saber se serviu de alguma coisa. As vezes em que continuaste a falar bem de Deus quando teria sido mais fácil calar.
Não caiu no vazio.
Ele estava a ouvir. E mandou escrever.