Eu Não Mudo
"Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." — Malaquias 3:6
Costumamos citar a primeira metade deste versículo e parar aí. Deus não muda. Fica bem, é verdadeiro, é reconfortante.
Mas a frase não acaba ali. E é a segunda metade que a torna extraordinária.
"Por isso vós não sois consumidos."
Deus não está a apresentar a Sua constância como um dado abstrato de teologia. Está a explicar por que motivo aquele povo ainda existia.
Lê o contexto e percebes o peso disto. Malaquias escreve a gente que oferecia animais defeituosos no altar, que retinha o que devia, que dizia abertamente que servir a Deus não valia a pena.
E a explicação para não terem sido varridos é simples: Ele não mudou.
Repara ainda no nome que Deus escolhe para os tratar: "filhos de Jacó". Não "filhos de Israel", o nome novo, o nome do príncipe que lutou com Deus. Jacó — o enganador, o que agarrou o calcanhar do irmão, o que enganou o pai cego.
É como se dissesse: eu sei exatamente com quem fiz aliança. E mantive-a.
Talvez estejas hoje a olhar para trás e a ver mais inconstância do que gostarias. Fases de fervor e fases de silêncio. Promessas que fizeste e não cumpriste.
A tua segurança nunca esteve na tua consistência. Se estivesse, já não estarias de pé.
Está na d'Ele. E Ele não muda.